quinta-feira, 23 de maio de 2013

A estratégia do filet mignon. E o osso?

A estratégia empresarial da indústria papeleira nacional, nos anos mais recentes, não aparente ser mais do que uma estratégia de “porta da fábrica para dentro”, o que na prática pode ser definido como estratégia do, ou pelo, filet mignon, de riscos oportunisticamente controlados, em sistema quanto mais fechado possível. A estratégia assenta na desresponsabilização pela forma como é obtida a matéria-prima que sustenta o negócio da pasta celulósica e do papel, com quebra de compromisso com a produção florestal e com o subsetor da exploração florestal e comércio de madeiras, situação ímpar ao constado noutros produtores de pasta celulósica e papel em países desenvolvidos ou emergentes. A evolução dos preços, do rendimento empresarial líquido na silvicultura (ou seja, o setor antes da porta da fábrica) e do peso do Valor Acrescentado Bruto (VAB) deste setor primário no VAB nacional, traduzidos nas Contas Económicas da Silvicultura, publicados anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística, são elucidativos.


O papel do Poder Executivo, traduzido na prática seguida pelos vários Governos, de acordo com as estratégias levadas a cabo pelas diferentes equipas ministeriais com a tutela da Silvicultura (o atual MAMAOT mais do que incluído) e da Economia, tem sido o de aparente subjugação a esta estratégia empresarial, designadamente no que respeita à produção legislativa, onde se enquadra a proposta de alteração legislativa às ações de arborização e rearborização tornada pública em maio de 2012. Esta prática governativa tem sido justificada fundamentalmente com o peso do setor papeleiro no Produto Interno Bruto (PIB) e nas exportações.

Se por um lado o peso do setor florestal no PIB tem decrescido acentuadamente nos últimos anos (o próprio PIB tem decrescido), com maior destaque na indústria florestal do que na silvicultura, o facto é que, no que respeita às exportações não está quantificado o seu valor líquido. Ou seja, ao valor bruto das exportações não estão deduzidos os encargos com a depreciação dos recursos naturais, nem do Território, nem os custos associados aos incêndios florestais, resultantes da gestão deficiente dos eucaliptais, inerente à quebra de rentabilidade do negócio da produção de rolaria para trituração, sobretudo em regiões onde predomina o minifúndio (regiões Centro, Norte e Algarve).

O atual Ministério com o pelouro das florestas, face aos evidentes indícios de concorrência imperfeita neste setor, dos riscos económicos, mas sobretudo sociais e ambientais decorrentes, insiste em não acompanhar a evolução dos mercados, muito menos em desenvolver os instrumentos inerentes à efetiva regulação dos mesmos.

Pior, permite que se mantenha a exclusividade na utilização do eucalipto pela indústria papeleira, não desenvolvendo os mecanismos de fomento a outras utilizações desta madeira, designadamente as que se possam consubstanciar na redução das importações de carvão mineral pelas centras termoelétricas nacionais (Abrantes e Sines), ou na redução das importações de madeira para a indústria de serração, designadamente pelo desenvolvimento de metodologias de utilização da madeira de eucalipto na construção civil ou mesmo para a produção de mobiliário, certamente com maior valor acrescentado do que a produção de rolaria para trituração. Não que estas outras oportunidades fossem substitutas da indústria de pasta celulósica e papel, mas que lhe fossem complementares, com mais valias para o País.

Mas, será este caso da indústria papeleira único? Infelizmente não, o setor florestal em Portugal tem servido de base ao desenvolvimento de outros negócios industriais de estratégia do filet mignon. Por exemplo, na produção de energia através da biomassa florestal, seja na energia elétrica, com as famosas centrais termoelétricas a biomassa, seja na produção de pellets energéticas, estas últimas com crescente pelo bruto nas exportações, muito embora assente na prática num negócio de “erradicação” oportunista do nemátodo da madeira de pinheiro bravo.

E o osso?

Bom, esse é suportado pela Sociedade, por um lado com os benefícios fiscais que são atribuídas pelos Governos às empresas papeleiras (cerca de 50 milhões de euros só em 2010 e 2011), por outro pela depreciação dos recursos naturais, do Território, com efeito, entre outros, no êxodo rural, e nos incêndios florestais, este últimos com encargos anuais superiores a 1.000 milhões de euros, e que na última década se estima terem sido responsáveis pela emissão para a atmosfera de mais de 2,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2 eq.), desperdiçando-se mais do que o equivalente a 5,7 milhões de barris de petróleo.

Paulo Pimenta de Castro, Eng. Florestal

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O IFN6, o eucalipto e o valor económico da floresta.


Com a apresentação, pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), dos resultados preliminares do 6.º Inventário Florestal Nacional (IFN6), ficam evidenciadas a redução substancial da área de pinheiro bravo, espécie que durante décadas assumiu papel de destaque no panorama florestal nacional, bem como o significativo aumento da área de eucalipto, espécie exótica que nos últimos 30 anos viu duplicar a sua área em Portugal, a quinta maior a nível mundial.

Os dados agora tornados públicos, mesmo antes de publicada a metodologia de trabalho, alteraram resultados já assumidos no inventário anterior (IFN5), situação que carece de adequada justificação. Efetivamente, sobre uma mesma base aerofotográfica, é possível definir diferentes critérios para a fotointerpretação e para o tratamento dos erros subsequentes, sendo que, sem um substancial trabalho de verificação no terreno, podem daí resultar dados muito díspares. Importa pois clarificar este aspeto, até para consolidar os dados agora alterados, isto para que não restem dúvidas sobre a sua credibilidade. Todavia, será curioso verificar como irá o Estado Português justificar a alteração de dados do IFN5, anteriormente considerados fidedignos, junto das instâncias internacionais, como a FAO ou o Eurostat.

Em todo o caso, assumindo os dados agora tornados públicos, importa cruzá-los com as estatísticas económicas sobre a silvicultura e o setor silvo-industrial, estes últimos da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE).


Evolução das áreas totais por espécie florestal.
(fonte: ICNF, IFN6 Resultados Preliminares, Fev, 2013)

Constatada a duplicação da área de eucalipto nos últimos 30 anos, estão igualmente patentes quer a redução substancial da área de pinhal bravo, quer a degradação das áreas de montado e a subsequente queda da qualidade da cortiça. Face às divulgadas virtudes financeiras do eucalipto ao nível do produtor florestal, não deixa de ser curioso anotar que, apesar do aumento significativo da área total desta espécie lenhosa, se tem assistido, de acordo com os dados expressos nas Contas Económicas da Silvicultura publicadas pelo INE, a uma substancial queda do peso do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura no VAB nacional. O mesmo evidenciava um valor percentual de 1,2% em 1990, tendo decrescido para 0,8% em 2000, e mais ainda, para 0,4% em 2010. Ao nível do Rendimento Empresarial Líquido da silvicultura, fruto da queda do VAB e do aumento dos Consumos Intermédios, é evidente igualmente uma redução considerável deste indicador. Ou seja, na produção florestal, apesar das virtudes enunciadas, o eucalipto não foi capaz de contrariar, nem mesmo de suster, a queda provocada pela redução na disponibilidade de área de pinho bravo ou pela redução da quantidade e qualidade da cortiça.


Evolução do peso do VAB da silvicultura no VAB nacional.
(fonte: INE, Contas Económicas da Silvicultura)

Mais, ao nível do setor silvo-industrial nacional, essa maior disponibilidade de área de eucalipto, face á de pinheiro bravo ou à de cortiça de qualidade, não contrariou, nem sequer susteve, segundo os dados obtidos com base as Contas Nacionais do INE, a queda do peso do setor ao nível do Produto Interno Bruto (PIB). Este apresentava um valor percentual de 3,0% em 2000, passando para 2,2% em 2005, reduzindo ainda mais em 2010 para 1,8% do PIB.


Evolução do peso da silvicultura, das indústrias florestais e do setor florestal no PIB.
(fonte: GPP, com base nas Contas Nacionais do INE)


Contrariamente aos dados económicos atrás expressos, nos últimos 30 anos a duplicação da área de eucaliptal e a redução da área de pinheiro bravo coincidem com uma maior expressão dos incêndios florestais em Portugal, concretamente no que respeita à sua propagação. Este é resultado de uma inadequada rentabilidade do negócio silvícola, com a subsequente adoção de insuficientes práticas de gestão florestal, que ao verificarem-se ao nível do pinhal, não são alteradas pela maior expressão do eucaliptal.

É por isso pertinente rever a estratégia política para o setor silvo-industrial português, tendo por base o aumento do seu valor económico, com a aposta na qualidade dos bens de base florestal, designadamente ao nível das produtividades, ao invés de se insistir na quantidade, ou seja numa massificação de área, como se pretende aliás com a recente proposta de alteração legislativa sobre as ações de arborização com espécies de rápido crescimento, iniciativa do Ministério da Agricultura.

Paulo Pimenta de Castro
Engenheiro Florestal
Presidente da Direção da Acréscimo, Associação de Promoção ao Investimento Florestal

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O associativismo florestal, fator essencial ao desenvolvimento.


O associativismo florestal tem assumido nas últimas três décadas um crescente destaque no panorama florestal português. Ainda muito aquém do peso que o associativismo florestal possui noutros países da UE com forte presença do setor florestal na economia, as organizações de proprietários de floresta em Portugal são hoje um parceiro incontornável para o desenvolvimento económico das várias fileiras florestais, para a preservação dos recursos naturais renováveis associados aos espaços florestais e silvestres, bem como na garantia do bem estar das populações rurais e do emprego, não apenas no setor primário, mas nos demais que neste têm o seu suporte.

As organizações de proprietários florestais, quer as de cariz socioprofissional quer socioeconómico, têm tido protagonismo na operacionalidade das medidas e dos instrumentos de política florestal, seja ao nível dos projetos de investimento, seja na agregação de áreas para gestão conjunta das florestas, no caso das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), ou na certificação da gestão florestal sustentável, bem como, mais recentemente, no domínio da defesa da floresta, seja ao nível da prevenção, vigilância e primeira intervenção nos incêndios florestais, ou na deteção e combate a pragas e a doenças.

Apesar desta operacionalidade de caráter técnico, o desempenho do associativismo florestal tem sido todavia ineficaz na salvaguarda do principal interesse dos proprietários florestais. No geral, as organizações de proprietários florestais não têm evidenciado resultados no que respeita à rentabilidade do negócio florestal e, bem assim, na garantia de acesso equilibrado dos seus associados aos mercados de produtos florestais. Este é contudo uma área fulcral para a garantia de expectativas para o investimento e o desenvolvimento das florestas em Portugal, onde mais de 90% da área florestal se encontra na posse de centenas de milhar de proprietários rústicos.

Efetivamente, de acordo com os mais recentes dados estatísticos, disponibilizadas nas Contas Económicas da Silvicultura 2010, pelo Instituto Nacional de Estatística, a silvicultura, a atividade silvícola ou a produção florestal têm evidenciado um progressivo declínio entre 2000 e 2010. Ficam evidentes os decréscimos nos preços e nos volumes, bem como os acréscimos nos consumos intermédios. Fica claríssima a redução do peso do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura no VAB nacional, e bem assim do peso do conjunto das fileiras florestais no Produto Interno Bruto (PIB).


Sabemos contudo que mesmo antes de 2000 os problemas da rentabilidade do negócio florestal eram já muito evidentes. Em 1996, num estudo desenvolvido pela consultora internacional Poyry, pelo Banco BPI e pela Agro.ges, era já diagnosticada uma situação de subaproveitamento e de sobre-exploração dos recursos florestais portugueses. De acordo com os especialistas, mesmo o negócio da produção de lenho de eucalipto para trituração, tido como o que apresenta maior rentabilidade na atividade silvícola, evidencia fortes indícios de abandono na gestão dos eucaliptais, mantendo-se a produtividade média anual nacional a níveis de 1928. A fraca rentabilidade do negócio silvícola implica num ajustamento da gestão florestal, ou seja na redução dos encargos face à não expectativa de receita, ou seja na não gestão, ou no tradicionalmente designado absentismo. As consequências são genericamente suportadas por toda a Sociedade, seja no caso da propagação dos incêndios, seja na proliferação de pragas e de doenças, com impactos ao nível da flora e da fauna, na conservação dos solos, na qualidade da água, ou mesmo na paisagem, mas também no emprego, na qualidade de vida, no êxodo rural e na aceleração dos fenómenos associados à desertificação.

Importa assim que ocorra uma mudança de paradigma na estratégia das organizações associativas ou cooperativas de proprietários rústicos com superfícies florestais, fazendo suportar o investimento e subsequente gestão das florestas na rentabilidade do negócio silvícola, negócio esse que assente nas melhores práticas disponíveis e que assegure a sustentabilidade dos recursos naturais, garantindo o sustento às diferentes fileiras de bens e de serviços de base florestal que valorizem a floresta, os seus proprietários e, assim, o desenvolvimento rural.

Paulo Pimenta de Castro
Engenheiro Florestal
Presidente da Direção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A enorme desilusão.


O Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT), no final de 15 meses de existência, revela-se uma enorme desilusão no que respeita à prossecução de medidas e instrumentos de política para as florestas portuguesas.

No cadastro da propriedade rústica, elemento estruturante no que respeita ao suporte de base às políticas de ordenamento do território, mas também de política florestal, o MAMAOT assume o seu “falhanço”. Fica-se pela criação de uma comissão, alegadamente para preparar ações para a próxima legislatura (uma task-force ao estilo português “faz que torce”). O passado é pleno de exemplos similares, a conclusão do cadastro vai ficando para as calendas.

Ainda na estruturação fundiária, o banco de terras que poderá porventura ter algum impacto em termos agrícolas, no que concerne às superfícies florestais e espaços silvestres, revela-se de interesse duvidoso. Nas florestas não se realizam investimentos de carácter anual, mesmo que em viveiros de plantas ou na produção de árvores de Natal, os investimentos são plurianuais, a várias décadas. A medida legislativa aprovada é desfasada desta realidade na esmagadora maioria de solos abandonados ou semi-abandonados (entre 1,5 a 2 milhões de hectares).

No fomento florestal, do MAMAOT fica o registo da estigmatização do recém-criado Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com uma proposta de alteração legislativa para o eucalipto, etiquetada como avulsa, extemporânea, irresponsável, opaca e unidirecional, que necessariamente irá ficar numa qualquer gaveta de arquivo.


Na gestão florestal, fundamental para a melhoria da produtividade, da rentabilidade e para a proteção do património florestal português, o MAMAOT fica-se por outra comissão “faz que torce”. No apoio ao associativismo, às ZIF (seu eventual reforço jurídico) e aos sapadores florestais, fica-se por medidas de desempenho errático, de desmesurada carga burocrática (contrariamente à estratégia de simplificação para a massificação do eucaliptal).

No PRODER e no Fundo Florestal Permanente, que poderiam dar algum alento em plena crise económica, fica o registo da incapacidade de ajustamento às prioridades do setor. O planeamento para a aplicação dos fundos da PAC 2014/2020 é uma incógnita, ao que o histórico não augura bons resultados (no atual quadro – 2007/2013 – o desempenho financeiro e físico é insignificante.

Na rentabilidade da atividade silvícola, o MAMAOT demonstra desinteresse ou incapacidade para acompanhar as relações das cadeias silvoindustriais, permitindo a existência de oligopólios industriais, sem atuar na regulação dos mercados, em claro prejuízo da lavoura. Neste aspeto, os dados revelados pelo INE são sintomáticos.

Ainda na ligação das florestas aos setores industriais, o MAMAOT confronta-se hoje com uma situação bizarra; uma vigília de empresários à sua porta no Terreiro do Paço; reveladora da falta de capacidade de concertação estratégica por parte da equipa ministerial.

As principais medidas e instrumentos de política florestal, tal como inscritos na Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96, aprovada por unanimidade pela Assembleia da República), passados 16 anos, continuam na sua grande maioria por concretizar. Neste domínio, o MAMAOT acrescentou até agora zero.

Assim, deste Ministério fica o registo de uma colossal incapacidade em desenvolver uma estratégia política para o setor, ou seja, tem uma avaliação claramente negativa em policies, já que no que respeita a politics, a ministra tem revelado boa capacidade propagandística.

Justifica-se assim a enorme desilusão no desempenho da ministra Assunção Cristas, em termos de política setorial, com equivalência à do ex-ministro Jaime Silva, também de má memória para o setor florestal português.

Paulo Pimenta de Castro

Engenheiro Florestal
Presidente da Direção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal
Ex-Secretário Geral da Anefa - Associação Nacional das Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente
Ex-Secretário Geral da Federação dos Produtores Florestais de Portugal - Conselho Nacional da Floresta

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Estratégias empresariais e as fileiras florestais portuguesas.


As fileiras empresariais são compostas por elementos interdependentes e a relação entre estes é crucial para o sucesso de cada uma das partes. Todavia, para muitos ganhar representa a perda de outros. Este tipo de relações é caracterizado por serem muito rígidas, baseadas no preço e não no valor. São, deste modo, relações adversas e não promovem o desenvolvimento equilibrado das partes. Irremediavelmente, no final é a fileira que acaba comprometida. Segundo os especialistas, resultados win-win apenas são alcançados através de processos de negociação integradores e de cooperação. Ignorar este princípio básico é comprometer o sucesso da fileira.

No âmbito da gestão, os termos win-win, win-lose e lose-lose estão associados à teoria dos jogos e referem-se a possíveis resultados de um jogo ou disputa envolvendo várias partes, e mais importante ainda, em que cada parte reconhece/compara o seu resultado em relação ao ponto de partida. Assim, um ganho (win) acontece se o resultado de uma negociação está de acordo com as expectativas ou é melhor do que o esperado. Uma perda (lose) refere-se a um resultado pior do que o esperado. É a noção de expectativa criada que determina o ganho ou a perda num relacionamento entre partes. São as seguintes as abordagens aos relacionamentos:


Nas fileiras silvo-industriais, a situação de subaproveitamento e de sobre-exploração dos recursos florestais são indícios da ausência de relações win-win, com claro prejuízo para uma das partes. Vejamos então:

1.    Na análise das Estatísticas Agrícolas 2011, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a balança comercial portuguesa dos produtos florestais apresentou um “saldo fortemente positivo” no período 2006/2011. Neste período foram registados sucessivos excedentes comerciais que evoluíram a um ritmo médio anual de 38%. A melhoria do saldo comercial foi particularmente acentuada nos últimos dois anos deste período, quase duplocando entre 2009 e 2010 (+89%), aproximando-se dos 2 mil milhões de euros em 2011 (+48%, face a 2010). A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 191% em 2011, tendo aumentado 69% face ao ano de 2006.

De acordo com o INE, em relação a 2011, as exportações de produtos florestais mostraram-se particularmente vigorosas, tendo aumentado 21% face a 2010. Para esta expansão contribuíram praticamente todas as indústrias do setor, destacando-se como as principais impulsionadoras a indústria de papel e cartão e a indústria da cortiça, que representam em conjunto 59% do valor total das exportações de base florestal.

Comércio Internacional das Fileiras Florestais (Fonte INE – Estatísticas Agrícolas 2011)

2.    Já na análise das Contas Económicas da Silvicultura 2010, também publicadas pelo INE, o período entre 2000 e 2010 ficou marcado por um “declínio progressivo da atividade silvícola”.

No que respeita ao Valor Acrescentado Bruto (VAB), em 2000 atingiu o valor máximo da década, tendo terminado em 2010 com um valor real de -19,2%. Ao longo deste período o VAB decresceu em termos médios anuais, -2,1% e -3,2%, em volume e em valor respetivamente. No que respeita ao peso relativo do VAB da silvicultura no VAB nacional, verificou-se uma perda de importância desta atividade na economia portuguesa. Em 2000, o VAB da silvicultura representava 0,8% do VAB nacional, tendo diminuído para metade em 2010 (-50%).

A produção florestal apresentou, entre 2000 e 2010, uma taxa de variação média anual de -2,0% em volume e de -2,3% em valor, o que refletiu o efeito da diminuição dos preços no produtor.

O custo dos meios de produção teve um impacto bastante negativo na atividade florestal (+7,1%), dado que a evolução dos preços da produção não acompanhou o aumento daqueles, em particular o custo da energia.


Índice de Preços à Silvicultura (2000=100, Fonte INE, CES 2010)


Refletindo o comportamento da produção e do VAB, o Rendimento Empresarial Líquido registou no período um decréscimo acentuado, superior a 250 milhões de euros.

Rendimento Empresarial Líquido (Fonte INE, CES 2010)

A análise conjunta dos dados publicados pelo INE revela, ao nível das indústrias florestais um “saldo fortemente positivo”, sendo que nas produções silvícolas se regista um “declínio progressivo”. Ou seja, as evidências apontam para relações win-lose, de curto prazo porque insustentáveis.

Este facto aporta consequências negativas não só para as atividades silvícolas, para os detentores dos espaços florestais, mas também têm forte impacto ao nível da Conservação da Natureza (dos solos, da água, da fauna e flora), do Ambiente (emissões decorrentes dos incêndios, avanço da desertificação), no Desenvolvimento Rural (êxodo rural e despovoamento das zonas raianas) e logo para a Sociedade Portuguesa em geral.

Efetivamente, o “declínio progressivo da atividade silvícola” é a consequência da forte quebra de expectativas de negócio das superfícies florestais, maioritariamente na posse de centenas milhar de proprietários privados, esmagadoramente com explorações de minifúndio e descapitalizados, sendo responsável pela adoção de formas de gestão tecnicamente inadequadas, usualmente designada por absentismo, adotadas no sentido de evitar maiores prejuízos financeiros.

O comprometimento de rentabilidade silvícola inviabiliza uma gestão ativa e sustentável nos espaços florestais, condiciona o ordenamento florestal e aporta riscos bem conhecidos, entre eles a propagação dos incêndios florestais e a proliferação de pragas e doenças.

O relacionamento “egoísta” da indústria (com o ganho - win) para com a produção silvícola (perdedora – lose), compromete fortemente o investimento florestal. Disso são exemplo os ridículos resultados evidenciados pelo PRODER, nas medidas de apoio financeiro às florestas (período 2007/2013), com uma taxa de execução física abaixo dos 15%.

Perante isto, o Estado premeia o win:
  • Ao criar uma “Campanha do Eucalipto” (mas, ao contrário da Campanha do Trigo, de 1938, sem garantias de apoio técnico à produção, nem regulação dos preços), ao que tudo indica para fomentar mais 40 mil hectares de eucaliptal, com previsíveis impactos ambientais nefastos, muito embora, por um lado, sejam evidentes os indícios de crescente abandono de gestão nos eucaliptais (decréscimo de rentabilidade) e, por outro, da produtividade média por hectare nos eucaliptais nacionais se situar a valores de 1928 (10 metros cúbicos/hectare/ano);
  • Na isenção de impostos (em 2010 e 2011, dados tornados públicos, só a Portucel auferiu cerca de 50 milhões de euros em Benefícios Fiscais); e,
  • Sobretudo por se esquivar à regulação dos mercados de produtos florestais, apesar das inequívocas relações win-lose, das evidências de monopólio e de concorrência limitada, bem como sem ter em conta que a quebra de expectativas na atividade silvícola gera fortes impactos no Desenvolvimento Rural, no Ordenamento do Território e no Ambiente.

Paulo Pimenta de Castro, Eng. Florestal

(Publicado no Agroportal, em http://www.agroportal.pt/a/2012/pcastro6.htm#.UGtTtE1G9MA)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Cortiça, sob uma nuvem sombria ou sob um sol radioso?


A exportação de rolha e revestimentos vem acumulando sucessivos recordes de vendas, que evidenciam a boa aceitação dos produtos de cortiça um pouco por todo o mundo. Ao mesmo tempo os produtores deparam-se, no campo, com preços pagos por arroba estagnados em forte baixa. Há, no mercado interno, uma relação desequilibrada que compromete a sustentabilidade da fileira. 

Os resultados de facturação da Corticeira Amorim, relativos ao primeiro semestre de 2012, são muito positivos. O volume de vendas, no valor de 275 milhões de euros, é o mais alto de sempre em meio ano. E o período de Abril a Junho representa o décimo trimestre consecutivo em que a empresa regista aumento das receitas.

O crescimento das vendas foi na ordem dos 13%, o que mostra que nos últimos anos o negócio da rolha e aglomerados continua em franca expansão. Espanha, França, Itália, EUA, China, Chile e Austrália, são alguns mercados onde a venda de rolha tem aumentado significativamente em resultado de uma maior produção e consumo de vinho.  

Os resultados positivos que se acumulam de ano para ano devem-se ao crescimento do mercado de exportação de derivados de cortiça, nomeadamente rolha e revestimentos. Não parece haver dúvidas de que o sector atravessa um bom momento. Mas atravessa mesmo?

A matéria-prima tem o preço estagnado em baixa, sendo paga ao produtor a preços asfixiantes, a roçar o limite mínimo de rentabilidade. E começam a ser frequentes os casos de produtores que optam por não tirar cortiça porque o diferencial entre a despesa da tira e o proveito da venda, mesmo sem considerar os custos da manutenção regular do arvoredo, deixou de compensar. Sem margem que cubra essa manutenção, as áreas de montado são deixadas ao abandono.

Se juntarmos a esta estrangulação dos preços um cocktail de problemas (de sanidade, de stress hídrico, de envelhecimento natural) que afectam o sobreiro, isto deverá significar que daqui a pouco mais do que uma década, se tanto, é grande a probabilidade de a indústria acordar um dia com matéria-prima em quantidade insuficiente para satisfazer o mercado, que verdade seja dita, tanto lhe custou a conquistar e que teria um potencial promissor.

Este é um risco muito real que os industriais enfrentam porque não entendem, ou não entendem por completo, o que actualmente se está a passar no domínio da produção suberícola. Pode haver a ilusão de que cortiça sempre haverá, mas a verdade é que os montados estão muitíssimo envelhecidos, perderam muita densidade, e toda essa área de novos sobreiros de que muito se ouve falar, e que se diz que irão entrar em produção, pouco mais é do que uma ilusão estatística. O Grupo Amorim, que detém o mercado e estabelece a formação dos preços – já que domina, sem concorrentes, a transformação e a exportação de cortiça – parece desconhecer as dificuldades concretas com que a produção se depara. E esse desconhecimento compromete seriamente o seu próprio negócio.

Quando há uma decalage tão grande, em que o negócio está muito bom para uns e muito mau para os outros, é sinal de que alguma coisa não está bem na fileira. A correcta gestão dos montados, e consequentemente a sua sustentabilidade, dependem de um fundo de maneio que permita o investimento em boas práticas. Essa capacidade actualmente está muito comprometida, e não vai recuperar sem um novo equilíbrio de mercado.

Os proprietários sabem exactamente o que seria preciso fazer para influenciar os preços: ‘encerrar a loja’ durante um ou dois anos, deixar a cortiça na árvore, e esperar que o poder de formação dos preços se deslocasse para o lado da produção. Mas entrou-se já numa espiral de dificuldades que torna uma acção destas muito difícil de concertar. Entretanto, as circunstâncias decorrentes do mau momento que está a ser vivido deverão fazer com que o efeito de escassez de cortiça seja sentido no mercado dentro de poucos anos.

Os produtores não vêem como desviar a nuvem sombria que paira sobre o sector. Ao mesmo tempo, talvez a indústria esteja convencida de que vive sob um sol radioso. A aplicação de uma palete de acções urgentes, que concorressem em conjunto para a correcção de várias contrariedades que afectam o montado, poderia ainda, porventura, impedir que aquela nuvem sombria se continuasse a adensar. Mas a avaliar pelo caminho que se fez até aqui, é preciso ser-se mesmo muito esperançoso para acreditar que assim venha a ser. De sucesso em sucesso, a indústria parece caminhar cegamente para o insucesso.


João Sobral


domingo, 2 de setembro de 2012

Mr. Magoo e o MAMAOT.


Quincy Magoo era um velhinho baixo, careca e com grave deficiência visual que se envolvia em situações cómicas e perigosas devido à sua pouca visão. A personagem, um desenho animado, mais conhecida por Mr. Magoo, foi criada pela United Productions of America.

A falta de visão de Mr. Magoo tem paralelismo com a atual falta de Visão do MAMAOT para as florestas e para o setor florestal, facto que também proporciona, a este último, situações caricatas e perigosas.

Analisemos os factos respeitantes ao caso específico da proposta de alteração legislativa sobre as ações de (re)florestação com eucalipto. Tal como concebida, tornou-se em si numa situação caricata e perigosa.

Tendo em consideração:
  • Que nos últimos 30 anos, apesar da ausência de apoios públicos a ações de arborização com a espécie, a área de eucaliptal aumentou 354.000 hectares, um acréscimo de 91,7%, situando-se hoje nos 740.000 hectares, ou seja 21% da área florestal do País. Esta área florestal, da qual depende a indústria da pasta celulósica e do papel, é detida maioritariamente por produtores privados, na sua grande maioria com explorações de reduzida dimensão, abaixo dos 5 hectares, estas últimas situadas com maior destaque nas regiões Centro e Norte.
  • Que apesar do significativo aumento de área registado, os especialistas reconhecem que a produtividade média nacional nos eucaliptais se situa hoje ao nível de... 1928 (10 m3/hectare/ano), facto que, só por si, deveria recomendar uma aposta estratégica na promoção da melhoria da qualidade dos eucaliptais atualmente existentes em Portugal.
  • Que os preços pagos à porta da fábrica, nos últimos 30 anos, de acordo com os dados publicados na Estratégia Nacional para as Florestas (1975/2005) e os dados registados pelo Instituto Nacional de Estatística, nas Contas Económicas da Silvicultura (2000/2010), evidenciam queda sistemática, apesar de alguns picos registados na década de 90. Isto, apesar do aumento no consumo intermédio na produção, sobretudo dos custos com mão de obra e com gasóleo, bem como da evolução favorável do preço da pasta celulósica de eucalipto no mercado internacional. O rendimento empresarial líquido da silvicultura e exploração florestal registou uma tendência de queda no último decénio, situação desfavorável aos produtores silvícolas.
  • Que o setor da indústria da pasta celulósica, de primeira transformação, mais ligada à produção, era até há alguns anos atrás constituído por 4 empresas: a Portucel, a Soporcel, a Celbi e a Caima; empresas essas que se foram fundindo, sendo o mercado atual ocupado apenas por 2 empresas: a Portucel Suporcel e a Altri; uma das quais em dificuldades financeiras, podendo perspetivar-se uma potencial concentração numa única empresa.
  • Que, segundos dados dos últimos Inventários Florestais Nacionais (1980/1989 e 2005/2006), os especialistas registam indícios de crescente abandono da gestão nos eucaliptais nacionais, com especial evidência no período 1992 a 2005. Aguardam-se com expectativa os números do último Inventário (2011/2012), cujos valores deverão ser disponibilizados ao longo do último trimestre de 2012, no que respeita a áreas, e início de 2013, nos referentes a volumes.
  • Que, segundo os dados disponíveis nos Serviços Florestais, o eucalipto ocupa a segunda posição em termos de área ardida, no conjunto das espécies existentes na floresta portuguesa, seguindo-se ao pinheiro bravo. A área ardida de eucaliptal tem vindo a aumentar nas últimas três décadas, consequência do aumento de área, claramente, mas também da crescente ausência de gestão florestal (o que não gera negócio é abandonado, logo desprotegido).

Em consequência, pode-se então resumir que, na história dos eucaliptais nacionais nos últimos 30 anos, apesar de um aumento significativo de área, a produtividade média nacional remonta a 1928, os preços à produção têm decrescido ao longo dos anoa, é evidente a concentração do setor industrial da celulose, são cada vez mais evidentes os indícios de abandono dos povoamentos com eucalipto e aumenta a vulnerabilidade da espécie aos incêndios florestais. Regista-se por um lado a aposta na massificação da cultura (aumento de área, manutenção da produtividade), bem como um ajustamento, por parte de milhares de produtores florestais, da gestão dos seus eucaliptais (absentismo) às expectativas de negócios gerados pelo eucalipto.

O que se constata em 2012:
  • O MAMAOT apresentou uma proposta de alteração legislativa às ações de arborização e rearborização com eucalipto, com o objetivo de facilitar a massificação desta cultura, em concreto no minifúndio. Esta proposta aparece de forma avulsa, extemporânea à discussão de uma estratégia nacional para as florestas e irresponsável do ponto de vista da gestão e do planeamento florestal, bem como da proteção dos recursos naturais.
  • O Ministério, com esta proposta, conseguiu a proeza de opor a fome à vontade de comer, situação caricata e potencialmente perigosa. Instaurou no setor florestal uma verdadeira “guerra civil”, com a fileira da madeira e mobiliário e a fileira da pasta e papel a degladiarem-se publicamente, dois verdadeiros “tigres de papel”, dependentes que são de uma floresta de sustentabilidade, no mínimo, duvidosa. Foi feito tudo o que não se deveria esperar do Ministério da tutela, o fomento da conflitualidade por uma postura de parcialidade.
  • A iniciativa está longe de ser inovadora, de quebrar ciclos, de aproveitar oportunidades. Ao invés, fomenta mais ainda a estratégia de massificação da cultura dos últimos 30 anos. Mais quantidade, igual ou menos qualidade. Uma pobreza política (muita politics, nenhuma policy).
  • A proposta do MAMAOT é estrategicamente negativa, perde uma excelente oportunidade de valorizar a gestão florestal ativa e a certificação florestal. Independentemente da dimensão (em área) da ação de arborização ou rearborização, não faz sentido a exigência de requerimento de autorização para quaisquer povoamentos florestais sujeitos a Planos de Gestão Florestal (PGF), já de si aprovados pelos Serviços Florestais, muito menos por explorações com áreas florestais certificadas, em concreto de eucalipto, as quais, para além do PGF aprovado oficialmente, são ainda auditadas regularmente por entidades terceiras especializadas. Ora, são precisamente as áreas com maiores indícios de absentismo que a proposta isenta de autorização (indício evidente da aposta numa campanha de massificação da cultura).
  • A iniciativa perde ainda uma excelente oportunidade de ser politicamente audaz, ao não anular definitivamente a cobrança de taxas no início de processos biológicos de evidente e reconhecido sequestro de carbono. Quanto muito fará sentido a análise de taxas ao nível de procedimentos de libertação do carbono retido pelos eucaliptais.
  • Se o objetivo é o aumento das exportações, as arborizações e rearborizações só gerarão material lenhoso a 12 anos, pelo que será mais consequente a intervenção nos eucaliptais já instalados, melhorando a sua gestão, garantindo a sua proteção e, quando possível, melhorando a sua produtividade. A 12 anos, só mesmo para apoio à liquidação dos encargos com as PPP, de 2025 em diante.
  • O Ministério conseguiu ainda a proeza de, à nascença, estigmatizar o recém criado Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com uma proposta caricata, do ponto de vista da conservação da Natureza, e perigosa, do ponto de vista florestal. Dificilmente será possível dissociar, no futuro, o ICNF da “Campanha do Eucalipto”.

A via da qualidade representa árduo trabalho (investigar, divulgar, formar). A via do facilitismo favorece a aposta na quantidade, na massificação indiscriminada, como visa a proposta legislativa do MAMAOT. Todavia, mais tarde o diferencial (económico, ambiental e social) entre estas duas vias terá de ser liquidado, acrescido de juros (aliás, como atualmente todos nós bem sabemos).

A contestação à iniciativa do MAMAOT, não deve ser centrada na árvore em si, com lugar na floresta produtiva nacional, tal como a indústria papeleira, mas sim na estratégia do MAMAOT, semelhante à Campanha do Trigo implementada pelo Estado Novo. Todavia, no caso presente, não são assegurados serviços de extensão rural, para apoio à gestão dos eucaliptais, nem condições justas de acesso aos mercados, permanecendo os agricultores e produtores florestais à mercê de posições monopolistas da indústria transformadora, cada vez mais centrada num único operador económico.

Tal como Quincy Magoo teria hoje disponíveis inúmeras soluções técnicas para melhorar significativamente a sua visão, evitando assim envolver-se em situações cómicas e perigosas, também o MAMAOT tem a oportunidade de definir uma Visão que represente uma verdadeira mudança de paradigma nas florestas em Portugal, não se expondo a situações caricatas, nem se estigmatizando em soluções perigosas. Será capaz de operar essa mudança? Condições políticas não lhe faltam, mas a cada dia que passa adensam-se as dúvidas que a consiga operar.


Paulo Pimenta de Castro
Engenheiro Florestal
Presidente da Direção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal

(Publicado no Agroportal, em http://www.agroportal.pt/a/2012/pcastro5.htm#.UEQ8xdaPWrh)